Carol Tomaselli pela SP-Arte

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A arte contemporânea brasileira hoje é uma das mais potentes do mundo

Uma visita guiada em qualquer exposição, para uma empresa, tem que ter um propósito. Além de criar novas experiências, pode trazer repertório para os envolvidos, acrescentando mais valor as parceiras.

Com a Minimal não é diferente. Temos uma parceria há alguns anos e vejo cada vez mais o envolvimento das pessoas com essa área tão bacana de relacionamentos, e esse ano, confesso, até eu fiquei surpreendida, as Minisalas da Design NOW estavam incríveis.

Comemorando os 10 anos do setor de design, a SP arte trouxe designers com menos de uma década de produção, mostrando que tempo não tem relação alguma com criatividade e competência.

Conhecemos Olga, uma designer que trouxe da Rússia a técnica usada para fazer esculturas em vidro e móveis com bordado, o ato de fazer subverte o artesanato e traz para a feira histórias que ultrapassam limites das culturas, num encontro com a arte e o design cheio de significados.

Seguimos nosso caminho com a curadoria feita pensando em espaços de grandes dimensões e que trazem histórias, Ernesto Neto se impõe logo de cara, com uma instalação de crochê colorida, cheia de materialidade com o nome “entre a terra e o céu: o corpo é vida” que nos convida a observar e até (mas não pode) tocar na obra.

Juliana dos Santos vem num painel que mostra tons de azul, resultado da pesquisa da artista sobre a flor Clitoria ternatea, que conheceu numa residência que fez na Bahia, Dos Santos cria essas telas de um jeito bem particular, ela sopra pó feito de flores torradas e moídas sobre a superfície úmida, seja papel ou tela, criando manchas e formas que não dependem só do gesto dela, mas também do próprio comportamento da flor e do ar que a move, mostrando que a própria natureza participa do processo.

Nadia Taquary traz sua feiticeira Yami, que também estava presente na última Bienal de SP, mostrando mais uma narrativa necessária da nossa história.

A jornada pelos corredores da feira também é sobre permitir que os olhares encontrem novos pontos, parem em galerias e assim tracem, cada um com seu repertório, seu próprio roteiro particular.

Paramos na Bordallo Pinheiro, que apresenta obras de mais de 40 artistas contemporâneos brasileiros e portugueses, fruto de residências artísticas em Caldas da Rainha, Portugal. O interessante aqui é que cada artista tem sua marca única, identidade, porém cada um deve unir sua identidade com o estilo naturalista de Pinheiro, trazendo releituras do universo bordalliano.

Também vemos Santídio Pereira com suas grandes telas e num collab muito interessante com a 55 design, conectando os dois setores da feira, numa linha tênue entre o que é arte e o que é design, honestamente, para quem compra, o importante é gostar e se conectar.

No mercado secundário, a Galeria Flexa traz obras de artistas consolidados, Ligia Pape; Tunga; Adriana Varejão a Tarsila do Amaral, com a obra mais valiosa da feira: R$ 19 milhões. “Terra”, de 1943, encerra a visita de arte em grande estilo, pois traz uma fase da artista mais madura, preocupada com questões mais profundas. A conexão com Belony, artista de 91 anos que traz o barro como matéria fundamental da sua obra, é direta, de mundos tão diferentes, mesmo vivendo no mesmo país.

A arte contemporânea brasileira hoje é uma das mais potentes do mundo justamente porque consegue falar de questões locais, território, identidade e natureza de forma universal.

O importante hoje é sair da SP Arte com um olhar mais atento, talvez não com tantas respostas quanto gostaríamos, às vezes até mais perguntas, mas a arte não pede respostas imediatas, ela pede convivência, que o percurso seja o começo de uma grande jornada.

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