Entre alfinetes e histórias, uma visita ao universo de Dee Lazzerini

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No ateliê do artista, técnica, memória e delicadeza se encontram para revelar o que existe por trás das obras.

O vazio que a SP Arte deixa ao longo do ano agora será preenchido com visitas aos ateliês dos artistas que vimos por lá. Porque a ideia é conhecer não só as obras, mas tudo que vem por trás delas.
E o ateliê de um artista é um mundo todo. Não é só onde as ideias vêm, é onde as obras nascem, são construídas, ajustadas, por vezes refeitas, outras finalizadas.
Conhecer um artista dentro da sua empresa é uma aula. Com o Dee Lazzerini, a convite da Galeria Janaína Torres, não foi diferente. Aproveitamos a curta estadia em São Paulo (hoje ele mora em Miami) e fomos conhecer o seu ateliê.
Com formação como dentista e especialização em engenharia de biomateriais, traz na sua pesquisa, o conhecimento técnico-científico, especialmente sua experiência com a construção de matrizes extracelulares artificiais, onde viu nos alfinetes, um universo de possibilidades. Sua fala mansa, mineira, não esconde a força por trás de cada obra.
Muitas vezes a arte é um intermédio entre as histórias do mundo e nós. O artista vem como um mediador, uma voz que nos diz porque vale a pena aprender cada coisa. E ler sobre um artista não é ouvir o artista falar, ver os olhos brilhando e as histórias que ele conta de cada obra. Cada escultura, uma aula. Dee nos apresentou algumas obras:
As esculturas da série Senhoras de pequenos espaços, com figuras com um contorno quase humano e feminino. Obras cm quase 2m de altura cada uma, com a metade do corpo coberta por milhares de alfinetes e a outra metade esculpida em madeira. O encontro acontece por uma linha definida: a madeira serve de apoio para o poliuretano que abriga os alfinetes, trazendo histórias da mitologia egípcia e grega, num encontro delicado entre materiais e história.
Nos trabalhos da série Lâminas, iniciada em 2024, Dee aplica milhares de alfinetes sobre superfícies pintadas com referências à abstração geométrica, criando obras que dialogam com produções de artistas mulheres e unem delicadeza, tensão e textura. Mulheres de todo mundo que muitas vezes são invisibilizadas, mas com trajetórias incríveis.
O ateliê é uma grande homenagem, quase uma colcha de retalhos, costurados por ele de forma tão delicada e paciente que só uma mãe saberia fazer. Dee traz, entre deusas e artistas, a sua própria história, onde sempre esteve rodeado por grandes mulheres da sua família.
O gesto deixa um rastro, é a vida e seu fio, ele diz. Aqui, me permito dizer: o gesto dele deixa um rastro, é vida e seu... alfinete!
Obrigada pela partilha honesta e delicada, Dee.

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