Um livro ou uma obra de arte? Porque não os dois?

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Mais um encontro com artista e dessa vez quem abriu as portas do ateliê foi Arthur Grangeia.

O trabalho do artista visual Arthur Grangeia é um convite para repensarmos as fronteiras entre a literatura, a arquitetura e as artes visuais. Formado em Arquitetura, desenhava dentro dos livros desde a escola. Um dia, uma amiga pediu para ele mostrar as páginas cobertas de tinta e poesia. Nunca mais parou.
Há uma diferença importante entre pintar sobre um livro e pintar nele. Toda a obra do Arthur se decide nessa preposição. A aquarela toma o livro, mas o texto permanece visível sob a tinta, num testemunho não só da passagem do tempo, mas da nova história que ele conta. Nada é apagado. A página fica permanentemente aberta. Arthur não ilustra o livro, interpreta sua jornada.
Durante a pandemia vieram os painéis em azulejaria, abrindo frente para a criatividade escondida atrás do empresário, que nunca deixou esse lado para trás. Que sorte a nossa.
Ao pintar azulejos à mão, ele entra numa tradição que no Brasil, colocando a parede como lugar de criação de identidade. E na série Escritos sobre Terra Queimada, duas palavras se juntam numa frase só: a queima, processo técnico que fixa o pigmento na cerâmica, e a queimada, evento que destrói o território. É o momento em que a obra deixa de ser arte e se torna história.
Um encontro com Araquém Alcantara lhe trouxe a série paisagens inscritas, onde ali o artista se coloca por inteiro, através da técnica: os traços feitos pelo giz pastel oleoso dão formas as paisagens brasileiras, derrubadas pela extração das pedras (aqui ele usa o mármore travertino) contando a história de uma forma poética, deixando rastros que não podemos apagar.
Um artista com várias linguagens e apenas uma utopia: que a gente aprenda sobre o nosso país e conheça mais nossa história. Pois aí, quem sabe? Poderemos percorrer um caminho mais justo e digno de formação do verdadeiro povo brasileiro.
Obrigada por nos mostrar nosso país, Arthur.

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