
Minimal e uma galeria repleta de encontros.
+
Saímos dos ateliês dos artistas para entrar na galeria para conhecer como funciona o mecanismo da arte pelo ponto de vista de quem valida e chancela suas carreiras.
A Claraboia, inaugurada em 2025 com o propósito de dar visibilidade a artistas e produções que fogem do circuito tradicional de arte, abriu suas portas com duas exposições distintas, mas enriquecedoras.
Começamos pelo encontro entre Isadora Almeida e Renato Rios, que nos recebeu para contar sobre seu trabalho e pesquisa, e fez uma visita guiada pela exposição, explicando os processos e como foi dividir a jornada com sua amiga.
Ambos vêm do Centro-Oeste brasileiro, fundamentalmente pintores, e usam esta exposição para mostrar algo novo: usam metais como suporte e avançam para o tridimensional.
Com texto crítico de Miguel Chaia, que descreve o percurso construído a partir de uma amizade sensível que se presta à experimentação, num enquadramento raro e útil: não é uma coletiva temática, é um diálogo entre duas pesquisas em curso. Literalmente, estamos vendo a história da jornada dos artistas acontecer em obras de pequeno formato, produzidas especialmente para essa exposição.
O ponto mais bonito do encontro: Rios fornece à paisagem de Almeida a sua fauna e flora. As ilhas desabitadas de uma ganham os moradores da outra, entidades que circulam entre o céu e a terra, paisagens entre a água e o ar, contando as histórias de Homero (Odisseia, Ulisses de ilha em ilha) e Shakespeare (A tempestade, a matéria dos sonhos), e cruzam com Surrealismo europeu e Realismo Mágico latino-americano.
E fica a pergunta: aquele céu e aquela água poderiam abrigar a Harpia harpyja (maior ave de rapina da Amazônia), a Iara/Uiara de canto hipnótico, ou o boto-cor-de-rosa que alterna corpo de peixe e corpo de homem? Quem responde não é quem faz (os artistas) mas quem vê (você).
Na sequência, outra exposição: “Céu da Pedra”, com curadoria de Ana Roman. Ela traz uma história interessante para unir 24 artistas, misturando gerações e situações de mercado bem distintas.
Até 1803, quando uma chuva de meteoritos caiu na Normandia, e Jean-Baptiste Biot foi enviado por Napoleão para investigar, acreditávamos em Aristóteles, que dizia que o céu e a Terra eram feitos de coisas diferentes. Lá em cima, matéria perfeita. Aqui embaixo, tudo que nasce, estraga e morre. Uma pedra vinda do céu não trouxa uma nova história: um meteorito pode ser mais antigo que a montanha onde está.
O "céu da pedra" do título não é um lugar acima dela, mas a trama de relações inscrita em sua matéria. Os encontros entre “diferentes” que criam conexões e novas histórias. Para não ser injusta, não citarei nenhum. Apenas reitero minha consideração: uma expografia bem feita, uma visita guiada com o pessoal da galeria e obras com pesquisa, narrativa e arranjadas de forma a nos encontrar fazem toda diferença!
Mal posso esperar o próximo encontro.







.jpg)










