
O escritório voltou mas as empresas não querem qualquer escritório
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Por alguns anos, a grande pergunta do mercado corporativo foi, as pessoas vão voltar para o escritório?
Os números ajudam a explicar essa mudança. No primeiro semestre de 2026, a atividade global de locação de escritórios atingiu o maior nível desde a pandemia, segundo a JLL. O volume ficou 1% acima do primeiro semestre de 2025, enquanto a taxa global de vacância caiu para 16,5%.
Mas esse movimento não representa simplesmente uma volta ao modelo de trabalho de 2019.
O que está ganhando força é o chamado flight to quality, empresas concentrando suas operações em edifícios melhores, mais modernos, bem localizados e capazes de oferecer uma experiência que justifique o deslocamento até o trabalho.
Menos “metros quadrados”. Mais experiência.
Durante a expansão do trabalho híbrido, muitas empresas perceberam que poderiam reduzir seus espaços físicos, isso não significou, porém, abandonar o escritório.
Em vários mercados, aconteceu algo diferente as companhias passaram a ser mais seletivas, em vez de ocupar grandes áreas simplesmente porque precisam acomodar toda a força de trabalho, empresas estão buscando edifícios com melhor infraestrutura, tecnologia, sustentabilidade, transporte, áreas de colaboração e serviços. Na prática, o escritório passa a funcionar menos como um lugar onde simplesmente se executa trabalho individual e mais como um ponto de encontro da organização.
A JLL já descreve esse tipo de imóvel como um “commute-worthy workplace”, um escritório que precisa ser bom o suficiente para valer o deslocamento, a redução da oferta de prédios novos e modernos também está aumentando a competição por esses espaços.
O paradoxo do novo mercado de escritórios
Isso cria uma situação curiosa, ainda existem escritórios vazios, mas começa a faltar o escritório que as empresas realmente querem ocupar.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a atividade de locação atingiu um novo recorde pós-pandemia no segundo trimestre de 2026, ao mesmo tempo, a construção de novos edifícios permanece em níveis historicamente baixos, a consequência é uma disputa cada vez maior pelos imóveis de melhor qualidade e uma aceleração dos aluguéis nesse segmento.
A Cushman & Wakefield resume a situação de maneira semelhante, prédios Classe A de diversos mercados estão próximos da ocupação total, enquanto a oferta de novas construções nos Estados Unidos está no menor nível desde os anos 1990.
Em Milão, outro exemplo desse fenômeno, imóveis Grade A representaram mais de 60% de toda a área locada no primeiro semestre, impulsionados pela busca por qualidade, sustentabilidade e localização.
O escritório está se tornando parte da estratégia de talentos
Existe ainda outro componente nessa transformação, se o trabalho pode ser realizado de diversos lugares, o espaço físico precisa ter uma razão para existir, e essa razão passa cada vez mais por colaboração, cultura, networking, aprendizagem e construção de relacionamento, por isso, localização, restaurantes, academias, áreas verdes, espaços colaborativos, tecnologia, transporte e serviços deixaram de ser apenas benefícios imobiliários. Eles começam a fazer parte da proposta de valor ao funcionário, o escritório deixa de ser somente uma decisão de Real Estate e passa a envolver também RH, cultura, employer branding e produtividade.
O que acompanhar agora
O mercado corporativo parece entrar em uma nova fase, não é exatamente o fim do trabalho híbrido e tampouco uma simples volta ao presencial, é uma reorganização do papel do escritório. As empresas podem até ocupar menos espaço do que ocupavam antes da pandemia, mas estão cada vez mais dispostas a disputar e pagar mais pelos melhores ativos. Para proprietários de edifícios antigos, isso cria pressão por retrofit e modernização, para empresas, significa que decisões sobre localização e workplace precisarão ser tomadas com maior antecedência e para os funcionários, significa que o escritório do futuro terá uma missão difícil, ser melhor do que ficar em casa.





















