
O olhar no arquiteto na SP-Arte por Gabriel Rosa
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Não é só sobre o que está exposto ali, é sobre o que a gente escolhe parar, olhar, sentir.
Eu gosto de pensar a SP-Arte como um lugar que revela mais sobre a gente do que sobre a própria arte porque no fim, não é só sobre o que está exposto ali, é sobre o que a gente escolhe parar, olhar, sentir… e o que simplesmente passa batido.
Caminhando pela feira, uma coisa me chamou atenção, tudo muito bem resolvido, obras bonitas, técnicas, com presença. Dá pra perceber o cuidado, a construção, o domínio, mas ao mesmo tempo, em vários momentos eu senti uma certa segurança demais, sabe quando tudo funciona… mas nada realmente te atravessa? Não é que falte qualidade, pelo contrário, mas às vezes parece que existe um limite invisível do quanto pode arriscar, como se muitas obras já nascessem sabendo até onde podem ir, pra não perder aceitação, mercado, desejo. E isso muda completamente a experiência, porque a gente começa a perceber que não está lidando só com arte, está lidando com decisão, posicionamento, valor.
Existe uma linha muito fina entre o que é expressão e o que já está pensado pra circular, pra vender, pra caber em determinados espaços, físicos e simbólicos, e não acho isso um problema isolado, acho que é um reflexo do momento, ao mesmo tempo, algumas obras quebram isso e são essas que ficam, são trabalhos que não estão ali tentando agradar de primeira, que exigem mais tempo, mais presença, que carregam alguma coisa que não é tão fácil de explicar. Quando eu encontrava uma dessas, dava pra sentir na hora, o corpo até desacelera e como arquiteto, eu não consigo dissociar isso do espaço.
Fiquei pensando muito em como a arte deixou de ser aquele elemento final, quase decorativo, e passou a ter um papel muito mais central, não é mais sobre “combinar” com o ambiente, é sobre a obra sustentar uma atmosfera inteira, tem obra ali que, sozinha, já cria um espaço e isso, pra mim, é muito forte. Também percebi uma busca por identidade, mas ainda meio em construção, tem narrativa, tem intenção, mas em alguns casos ainda parece existir um cuidado em não romper demais, como se a gente estivesse testando até onde pode ir sem sair do que já é validado. E talvez esse seja o ponto mais honesto da SP-Arte hoje, ela não mostra só o que está sendo feito, mostra o quanto a gente está disposto, ou não, a ir além.
No fim, eu saí de lá pensando menos sobre quais eram as “melhores” obras… e mais sobre quais realmente ficaram comigo, porque no meio de tanta imagem, o que permanece não é o que é mais bonito ou mais caro, é o que, de algum jeito, te atravessa.







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