CASACOR 2026 - Gabriel Rosa
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O que essa edição está tentando nos dizer?
Não sobre as cores que estavam em alta, nem sobre qual ambiente vai aparecer mais no Instagram. Essas coisas mudam muito rápido. O que sempre me interessa é perceber o que existe por trás de tudo isso. Que tipo de casa estamos construindo? Que tipo de vida estamos desejando?
A CASACOR São Paulo 2026 me fez sentir que estamos cansados do básico.
Durante muito tempo, a arquitetura pareceu viver uma disputa para ver quem conseguia criar o ambiente mais impactante. Mais alto, mais tecnológico, mais diferente. E, por um momento, isso até fez sentido. Mas andando pela mostra, tive a sensação de que alguma coisa mudou.
Os espaços que mais me marcaram não foram os que tentavam impressionar. Foram os que conseguiam desacelerar quem entrava neles.
Era como se a arquitetura dissesse, o tempo todo: "você pode respirar."
Percebi uma valorização muito maior da luz natural, das texturas, dos materiais que envelhecem bem e das imperfeições que tornam um espaço mais humano. Tudo parecia menos preocupado em parecer perfeito e mais interessado em parecer verdadeiro.
E talvez essa seja a palavra que melhor define essa edição: verdade.
Também me chamou atenção como a tecnologia finalmente parece ter encontrado o lugar dela. Ela continua presente, mas quase desaparece. Não precisa mais provar que existe. Apenas funciona. E quando isso acontece, quem volta a ocupar o centro é a experiência de quem vive o espaço.
Outra coisa que ficou muito clara para mim foi que o luxo mudou de significado.
Hoje, luxo já não parece ser ter o material mais raro ou a peça mais cara. Luxo é ter uma casa que acolhe. É conseguir ouvir o silêncio. É ter um canto onde a luz da manhã entra do jeito certo. É preparar um café sem pressa. É receber alguém e querer que essa pessoa fique mais um pouco.
Percebi também que muitos ambientes deixaram de contar histórias grandiosas para falar sobre coisas simples. Sobre memória, afeto, rotina, pertencimento. E, curiosamente, foram justamente esses os espaços que permaneceram comigo depois da visita.
No fim, saí da CASACOR pensando menos em tendências e mais em comportamento.
Acho que o design do próximo ano vai falar muito menos sobre novidade e muito mais sobre autenticidade. Vejo uma busca por casas que tenham identidade, que envelheçam bem e que façam sentido para quem mora nelas, não para quem vai fotografá-las.
Talvez estejamos entrando em um momento em que a arquitetura deixa de tentar impressionar para voltar a emocionar.
E, para mim, essa sempre foi a função mais bonita de um espaço.
Quando a visita acaba, a gente esquece a cor da parede, o sofá, a luminária e até muitos detalhes. Mas não esquece como um ambiente fez a gente se sentir.
É essa sensação que eu trouxe da CASACOR São Paulo 2026. A impressão de que estamos voltando a projetar não apenas casas melhores, mas vidas mais humanas. E, se esse realmente for o caminho do design nos próximos anos, acredito que estamos seguindo na direção certa.








